Após tremor de 4,7 na quarta-feira (26), a área foi atingida por outro abalo, no norte do país
Um terremoto de magnitude 5 atingiu a região do Tibete, na China, no final desta quinta-feira (27), informou o Centro de Pesquisa em Geociências da Alemanha (GFZ).
O tremor ocorreu a uma profundidade de 10 km no norte do Tibete, segundo o GFZ. O epicentro localizava-se a centenas de quilômetros ao norte das regiões do Nepal e da China atingidas, na quarta-feira (27), por uma inundação repentina devastadora que matou quase 400 pessoas e deixou cerca de 1.500 desaparecidas.
O centro de monitoramento sísmico da China também registrou um terremoto de magnitude 4,7 em Nagqu, no Tibete, na quarta-feira (26), informou a agência de notícias estatal Xinhua.
A China acionou um protocolo de resposta de Nível IV para inundações na região devido ao risco de rompimento de um lago de barreira, acrescentou a Xinhua.
O Ministério de Recursos Hídricos da China instruiu as autoridades locais a monitorarem o lago de barreira e os índices pluviométricos, além de ter enviado uma equipe de especialistas ao condado de Gyirong, segundo a Xinhua.
Enchente devastadora
As inundações repentinas e um enorme deslizamento de lama, que atingiram a região montanhosa na fronteira entre o Nepal e a China na quarta-feira (26), arrastaram casas, estradas, hotéis e a infraestrutura de fronteira.
Quase 1.500 pessoas estão desaparecidas no país do Himalaia e na vizinha China após o colapso de uma massa de gelo, lama e rocha em um rio de montanha, que desencadeou uma inundação catastrófica.
A polícia informou que 359 pessoas morreram nos dois lados da fronteira, com dezenas de corpos sendo arrastados para as planícies, de onde estavam sendo resgatados.
Os países alertaram, nesta quinta-feira (27), sobre novos riscos de inundação no Himalaia, à medida que dois lagos formados nos dois lados da fronteira ameaçam romper-se em uma região que ainda enfrenta as consequências da inundação catastrófica desta semana.
A China alertou que 3 milhões de metros cúbicos de água — o equivalente a cerca de 1.200 piscinas olímpicas — devem fluir para um lago já represado em seu lado da fronteira nos próximos três dias, criando um alto risco de rompimento, com o pico do fluxo previsto para cerca de 1º de setembro.
A formação de um lago de barreira foi registrada em imagens aéreas por uma equipe de resgate chinesa na quinta-feira, segundo a emissora estatal CGTN.
As imagens mostravam grandes volumes de água barrenta acumulando-se em uma bacia sem saída visível. A água já havia submergido arbustos e árvores e parecia pressionar uma barreira de detritos e pedras.
Previsão de mais chuvas
A previsão de chuvas para a próxima semana deve agravar a ameaça, informou a mídia estatal chinesa, citando o Ministério de Recursos Hídricos da China.
"O volume de água continua aumentando, e o risco também", disse Zhu Jinfeng, pesquisador do departamento de hidrologia do Ministério de Recursos Hídricos, à emissora estatal CCTV.
Atendendo ao alerta, algumas equipes de resgate no Nepal começaram a se deslocar para áreas mais elevadas na quinta-feira.
Entre elas estava Pawan Koirala, que começou a se afastar do leito do rio com sua equipe de 13 pessoas logo após a emissão do aviso. "Estamos aqui para o resgate e não queremos ficar perto da zona de perigo", disse ele.
China alerta para alto risco de rompimento de barragem perto do Nepal
O condado de Gyirong, na China, duramente atingido, ainda enfrenta riscos de deslizamentos de terra, fluxos de lama e inundações repentinas
Autoridades chinesas alertaram para o “alto risco” de rompimento de uma barragem formada por um deslizamento de terra no Nepal, onde um lago começou a se formar. O alerta foi feito nesta quinta-feira (27) pelo Ministério de Recursos Hídricos da China.
Segundo o ministério, um eventual rompimento poderia provocar novas inundações e danos em áreas rio abaixo, incluindo o porto de Gyirong, importante passagem de fronteira entre China e Nepal que foi destruída pelo deslizamento. O episódio também pode colocar em risco equipes chinesas de emergência enviadas ao local para as operações de resgate.
O lago, chamado de “lago de barreira”, está se formando perto do ponto onde o rio Chhochen Khola, no Nepal, encontra o rio Purepu Tsangpo, que segue em direção à China.
Segundo o ministério, na manhã desta quinta-feira o lago tinha cerca de 2 milhões de metros cúbicos de água. A previsão é que as chuvas acrescentem outros 3 milhões de metros cúbicos nos próximos três dias.
A China enviou uma equipe de especialistas ao condado de Gyirong, que enfrenta riscos de deslizamentos de terra, fluxos de lama e inundações repentinas, para auxiliar na resposta de emergência ao lago.
Deslizamentos no Nepal criaram novo lago
O condado de Gyirong, na China, duramente atingido, ainda enfrenta riscos de deslizamentos de terra, fluxos de lama e inundações repentinas, com previsão de três dias de chuva e o acúmulo de terra desmoronada formando barragens instáveis, informou a mídia estatal.
Imagens recentes de drones, transmitidas pela emissora estatal CCTV, mostraram a formação de um lago na cicatriz deixada por um deslizamento de terra anterior.
O lago recém-formado pelo represamento, situado próximo ao Porto de Gyirong, mas do lado nepalês da fronteira, parece estar aumentando de tamanho, segundo a CCTV
Segundo a emissora, estimava-se que o lago contivesse dois milhões de metros cúbicos de água e já havia começado a transbordar. Espera-se que mais três milhões de metros cúbicos de água fluam para o lago nos próximos três dias, o que cria um alto risco de rompimento.
A CCTV informou que as condições meteorológicas representam uma “dificuldade muito grande para os esforços de resgate subsequentes”.
Chen Xi, do comando local das forças armadas chinesas, disse à CCTV na noite de quarta-feira (26) que algumas unidades estavam de prontidão em um centro de comando devido ao risco de deslizamentos de terra.
“As encostas das montanhas ao nosso redor podem desmoronar a qualquer momento, pois a estrada passa por penhascos íngremes e... também pode haver risco de outro deslizamento de lama”, afirmou Chen.
SÉRIE DE TREMORES E TRAGÉDIA NATURAL ATINGEM A FRONTEIRA CHINA-NEPAL
Uma combinação devastadora de tremores de terra, tempestades e catástrofes naturais colocou as autoridades da China e do Nepal em alerta máximo nas últimas horas. Enquanto o Tibete volta a registrar abalos sísmicos, a região de fronteira enfrenta as consequências imprevisíveis de um colapso catastrófico que já deixou centenas de mortos e milhares de desaparecidos.
Terremoto de Magnitude 5 Atinge o Norte do Tibete
No final desta quinta-feira (27), um terremoto de magnitude 5.0 foi registrado no norte do Tibete pelo Centro de Pesquisa em Geociências da Alemanha (GFZ). O tremor ocorreu a uma profundidade rasa de 10 km, o que costuma amplificar o impacto do abalo na superfície.
Este abalo sísmico ocorreu após outro tremor registrado no dia anterior (26), de magnitude 4,7, localizado no condado de Nagqu. Apesar do susto, o epicentro deste novo terremoto de magnitude 5 situa-se a centenas de quilômetros ao norte da faixa fronteiriça mais atingida pelas chuvas e pelas enchentes repentinas. No entanto, o evento reforça o cenário de vulnerabilidade geotectônica na região montanhosa.
Inundação Devastadora e Risco de Rompimento de Lago de Barreira
A grande emergência humanitária e estrutural está concentrada na fronteira montanhosa entre o Nepal e a China (especialmente no condado de Gyirong). Na quarta-feira (26), o colapso massivo de uma estrutura contendo gelo, lama e rocha em um rio de montanha desencadeou uma enxurrada violenta que destruiu estradas, hotéis, residências e instalações alfandegárias.
Vítimas Confirmadas: Mais de 350 mortos foram contabilizados nos dois lados da fronteira.
Desaparecidos: Cerca de 1.500 pessoas continuam sem paradeiro conhecido.
Infraestrutura: O importante porto de fronteira de Gyirong foi severamente danificado ou destruído pelos fluxos de lama.
A Nova Ameaça: Lagos de Barreira (Landslide Lakes) O deslizamento massivo represou o curso natural dos rios locais (como o Chhochen Khola e o Purepu Tsangpo), criando represamentos instáveis de terra e pedras que acumularam milhões de metros cúbicos de água barrenta.
Imagens aéreas registradas por drones de equipes de resgate e veiculadas pela mídia estatal chinesa (CCTV/CGTN) mostram que o volume represado perto da fronteira já passava de 2 milhões de m³ e começou a transbordar. Com a previsão de fortes chuvas contínuas nos próximos dias, estima-se que mais 3 milhões de m³ de água desçam pelas montanhas, aumentando o risco crítico de rompimento catastrófico com pico de vazão previsto em torno de 1º de setembro.
Resposta de Emergência e Alerta de Nível IV
O Ministério de Recursos Hídricos da China acionou o protocolo de resposta de emergência de Nível IV para inundações e enviou equipes especializadas e forças armadas para o condado de Gyirong.
Evacuação Preventiva: Diante do risco iminente de colapso do barramento natural e novos deslizamentos de encostas instáveis, equipes de resgate nepalesas e chinesas começaram a recuar de leitos de rios e zonas de perigo direto, deslocando-se para áreas mais altas.
Monitoramento Contínuo: Especialistas monitoram os índices pluviométricos e o volume acumulado dos lagos de barreira hora a hora, tentando evitar que uma nova onda de destruição atinja as comunidades situadas rio abaixo.
A combinação de terreno instável, encostas íngremes sob ameaça de desabamento contínuo e previsão do tempo desfavorável torna as operações de busca e salvamento uma corrida contra o tempo em uma das geografias mais desafiadoras do planeta.


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